sexta-feira, 15 de maio de 2020



AJUDAR A IGREJA EM SUAS NECESSIDADES





Além dos Mandamentos da Lei de Deus, existem para os fiéis católicos os Mandamentos da Igreja, prescritos no Catecismo da Igreja Católica, que diz: “O caráter obrigatório dessas leis positivas promulgadas pelas autoridades pastorais tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e do próximo” (CIC, 2041).

Aqui não iremos tratar de todos, mas apenas do quinto mandamento que “recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades” (CIC, 2045). Vemos que o Catecismo usa a palavra recordar, ou seja, é algo que nos foi transmitido de alguma forma, mas que pode cair num esquecimento, levando a deixar de lado um compromisso essencial com a Igreja, uma vez que dela fazemos parte pelo Batismo, formando um só corpo bem unidos no Senhor.

Nesse Tempo Pascal, fazendo a caminhada com a comunidade do Ressuscitado, vemos um testemunho muito bonito que era marca do compromisso da vida missionária: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (cf. At 2,44-45). A evangelização não se dá apenas com o anúncio verbal da Palavra, mas também pela solidariedade fraterna, o que está na essência da missão da Igreja, pois, guiados por suas leis vemos: “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros” (Cân. 222 §1).

Há muitas maneiras de fazer essa oferta material, porém, uma das principais é o dízimo, prática que acompanha nossa história desde o Antigo Testamento (cf. Lv 27,30), quando o Povo de Deus ofertava a décima parte dos rendimentos ou das colheitas e rebanhos, como forma de agradecimento por tudo aquilo que haviam recebido do Senhor, tornando visível a comunhão com Deus, que gratuita e generosamente, lhes oferecia seus dons.

Outra dimensão importante é o que chamamos de justiça social, ou seja, “(os fiéis) têm também a obrigação de promover a justiça social e, lembrados do preceito do Senhor, socorrer os pobres com as próprias rendas” (Cân. 222, §2). Nosso olhar se volta novamente para os Atos do Apóstolos, quando nos diz, que “nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, e, tudo o que arrecadavam repartiam de acordo com a necessidade de cada um” (cf. At 4,34). Portanto, a justiça social se realiza quando damos o que o outro necessita, não apenas dando o que nos sobra, fazendo dessa oferta uma ação de graças, pois, não guardando nada para si, recebemos os tesouros mais preciosos que são a graça, o amor, a justiça e a misericórdia de Deus.

Nesse tempo de pandemia, temos visto muitos gestos de solidariedade, seja com o dízimo ou outras ofertas em nossas comunidades paroquias, seja também a partilha de mantimentos para socorrer tantos irmãos e irmãs que têm menos do que nós, levando-nos a admiração destes gestos, como Jesus se admirou quando viu entrar no Templo uma viúva que ofereceu tudo o que tinha, as suas duas moedinhas (Lc 21,2). 

Pe. Ricardo Nunes
(Artigo publicado na Revista Caminhando - Maio/2020 - Diocese de Nova Iguaçu)

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