sábado, 1 de fevereiro de 2020


Deus nos conduz pelos caminhos mais longos!





Toda história da salvação está repleta de exemplos que nos falam de um Deus próximo, que cuida, conduz e orienta seu povo, apesar de seus erros e dureza de coração, como nos diz o profeta: "Amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor" (Jr 31,3). A partir dessa proximidade amorosa de Deus, somos chamados a viver essa mesma dinâmica em nossa vida, pois, criados a sua imagem e semelhança, devemos deixar refletir por nossa vida este amor que nos penetra e nos preenche. 

Para que isto aconteça, precisamos aceitar sua condução, mesmo que seja por caminhos longos. Deus não gosta de encurtar caminhos e usa de algumas ocasiões da vida para mostrar isso, como lemos nas páginas sagradas sobre a libertação do povo que vivia há muitos séculos escravo no Egito.

Quando o povo, conduzido por Deus através de Moisés, saiu do Egito precisava deixar para trás muitas coisas, sobretudo a saudade dos tempos que viveram escravos e oprimidos. Saíram e poderiam percorrer um caminho bem curto até a terra prometida, mas Deus fez que percorressem um caminho longo, que durou 40 anos, para que se libertassem verdadeiramente de tudo o que os escravizavam. 
No início daquela caminhada todos tinham uma certeza: haviam saído do Egito, porém, o Egito ainda precisa sair de dentro deles. Quantas vezes deixamos para trás os nossos “egitos”, tentamos demonstrar isso às pessoas e convencê-las de quem vivemos uma nova etapa da vida, mas sabemos que muitas coisas do passado ainda fazem parte de nossa história, vivendo de aparências e, por vezes, bastante incoerentes com o que Deus espera de nós. É difícil se desfazer de uma história, apagar marcas do passado e dar um impulso novo, pois estamos machucados, fragilizados, carregando muitos traumas, que somente Deus pode curar e, verdadeiramente, nos libertar.

Somos chamados a uma sincera conversão de vida, mudar nossos pensamentos e atitudes, viver a coerência cristã, mas sem pressa, pois Deus tem o seu jeito de nos ajudar e usa de caminhos alongados, até mesmo nos fazendo visitar nosso passado para que, pouco a pouco, cure nossas feridas. Compreendemos que Deus tem um tempo para cada coisa, sem pressa, sem atropelos, sustentados por suas mãos, mãos de um pai que nos apoia e conduz, mãos de mãe que nos acaricia e enxuga nossas lágrimas.

De onde Deus te tirou? Onde era seu Egito e qual foi a razão que te levou até lá? Quanto tempo Deus te tem feito caminhar com Ele para que aconteça sua libertação? Essas perguntas são fundamentais para dar um sentido novo para a vida. Quantos testemunhos bonitos temos na Igreja, de pessoas que se permitiram dar o primeiro passo que é o SAIR, vindo depois o deixar-se CONDUZIR pelo caminho que trilhado para nós, deixando para trás o que antes nos prendia para se LIBERTAR de toda forma de escravidão.

Caro leitor, como alguém já disse: desertos não duram para sempre. São apenas lugares de passagem para se chegar ao que foi reservado e prometido por Deus, não é no deserto que Ele nos quer. Levante a cabeça e olhe para frente, o que Deus tem para ti está muito próximo, não desanime e não desista de caminhar, por mais longo que seja o caminho.

Pe. Ricardo Nunes

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